Nota da O Apoio
Reportagem que mostra o reflexo da disputa por talentos de TI, em Portugal.
Inevitável o crescimento da remuneração salarial, num mercado tão acirrado, como vem se tornando por aqui.
Já dissemos muitas que Portugal quer se tornar "o" Hub Tecnológico europeu... aliás, já podemos dizer que esse plano já está em curso, e dessa forma, vai se tranformar numa "Meca" de talentos.
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O mercado de emprego na tecnologia em Portugal pode crescer menos este ano que em anos anteriores, mas a tendência vai manter-se ascendente e o mesmo se espera do valor médio dos salários, muito devido à concorrência internacional, dentro e fora do país.
Nos últimos anos, o mercado de emprego na tecnologia tem crescido
consecutivamente. A digitalização das empresas locais explica
parte deste aumento, mas é a escolha cada vez mais de Portugal como
destino de investimento, de empresas com grandes centros de serviços e
competências, que mais tem contribuído para mudar a realidade do emprego em
Portugal, na área da tecnologia.
Em ano de expectativa e incerteza, em relação aos efeitos
do abrandamento da procura em muitas áreas, aos efeitos da inflação e da guerra
na Ucrânia, mote para uma onda de
despedimentos a nível internacional, as previsões das
empresas do sector continuam a ser otimistas, ainda que mais moderadas do
que em anos anteriores.
“O mercado de TI continua em crescente ascensão em Portugal. O
sector deve continuar forte e dinâmico, uma vez que a área de TI é estratégica
no processo de modernização e de resposta aos desafios que têm surgido”,
defende Patrícia Horta, Section Manager da equipa de tecnologia
da Hays Portugal, que espelha a mesma previsão no seu Guia anual do
mercado de emprego. A falta de recursos em algumas áreas e a
necessidade de responder à procura em projetos, que não vão parar, fazem
com que assim seja.
Como acrescenta Duarte Fernandes, responsável de operações
da Kwan, empresa de IT Staffing e outsourcing do grupo
Rupeal, é também isso que explica o facto de pouco se notar o
efeito dos despedimentos que têm vindo a ser anunciados, na quantidade de
mão de obra disponível. “Se as start-ups e as empresas muito dependentes do
financiamento de investidores podem estar a ser obrigadas a abrandar alguns
projetos, nas empresas mais sólidas, como as big corporate, os projetos
mantêm-se”. Em algumas, a falta de recursos para responder aos projetos
em carteira era tal, que permite absorver o talento que vai ficando disponível
e não chega, garante o responsável.
Onda de despedimentos tem pouco impacto na disponibilidade de talento
Dados da Revelio-Labs, citados no estudo The Human Age
do ManpowerGroup, mostram isso mesmo e indicam que, dos mais de
140.000 trabalhadores de tecnologia dispensados desde março de 2022, 72%
encontraram novos empregos no prazo de três meses - números globais.
“PODERÁ HAVER ALGUM EFEITO DE CONTÁGIO, RELATIVAMENTE
ÀS TOMADAS DE DECISÕES DAS GRANDES TECNOLÓGICAS, QUE ESTÃO A ANUNCIAR ALGUNS
CORTES, MAS DIRIA QUE ESTES ACONTECEM MAIS NUMA LÓGICA DE PROTEÇÃO DE UMA
EVENTUAL RECESSÃO”, DEFENDE PEDRO AMORIM, MANAGING DIRECTOR DA EXPERIS - GRUPO
MANPOWER.
Várias empresas do sector do emprego estão a olhar para os anúncios
de despedimentos das últimas semanas e meses da mesma forma, mais
como uma necessidade inevitável de ajustes, depois de um crescimento
anormal durante a pandemia e para tranquilizar investidores, do que
como uma antecipação de cenários muito negativos.
Joana Sousa Freitas, Team Leader IT da Adecco Recruitment,
admite que "o cenário de uma eventual crise económica poderá
provocar alguma retração ao nível do investimento, quer em empresas nacionais quer
internacionais". Mas a responsável também reconhece que, dos
"inúmeros fatores, com maior ou menos previsibilidade, que podem
influenciar o mercado de trabalho na área de IT em Portugal, a escassez de
talento e a crescente competição de empresas estrangeiras em Portugal, têm sido
os mais relevantes.
Pedro Moura, responsável de marketing da Landing.jobs,
compara o sentimento atual com aquele que se vivia no início da pandemia. “O
padrão é muito similar”. A “incerteza sobre o panorama económico leva a
um natural abrandamento das contratações durante uns meses (não em
todas as empresas), seguido de uma explosão de contratações”. O
responsável acredita que esta recuperação - depois de algum
abrandamento no ritmo de colocação de ofertas, como apontam algumas
empresas, e de decisões de contratação, como destacam outras - começará
a sentir-se já em Fevereiro e Março, atendendo a alguns sinais que o
mercado já vai dando. Nas empresas de outros sectores poderá demorar mais algum
tempo.
“EM RESUMO, EM 2023, ASSISTIREMOS A UM OTIMISMO E
CONFIANÇA MODERADOS POR PARTE DAS EMPRESAS PARA CONTRATAÇÃO NO SECTOR
TECNOLÓGICO, QUE IRÁ COM CERTEZA TER UM EFEITO DE CONTÁGIO NAS EMPRESAS
CUJO CORE NÃO É A TECNOLOGIA, MAS QUE PRETENDEM CONTINUAR A INVESTIR
NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL OU NA TRANSFORMAÇÃO DO SEU NEGÓCIO”, ACREDITA PEDRO
AMORIM.
Para as empresas que vão
continuar a contratar, capacidade salarial e flexibilidade
no modelo de trabalho são ingredientes chave para atrair e reter talento. A
possibilidade de trabalhar remotamente afirmou-se definitivamente como um
critério de seleção por parte dos colaboradores. Ainda assim, o
salário, pelo menos até um determinado patamar, continua a ser o primeiro ponto
de análise numa oferta de emprego. As empresas portuguesas continuam
claramente em desvantagem neste domínio.
“Portugal tem um desafio grande nesta área, com as empresas
nacionais a praticar salários ainda abaixo dos fixados pelas multinacionais que
recrutam em Portugal e que promovem igualmente a flexibilidade no que respeita
ao modelo de trabalho”. A vantagem da concorrência internacional agrava-se
ainda mais porque “a fiscalidade em sede de trabalho continuará a ter um
peso significativo do ponto de vista da competitividade, que vai continuar
a traduzir-se na perda de recursos qualificados para mercados recetores com
maior poder de contratação do ponto de vista de remunerações”, defende Pedro
Amorim.
Salários vão continuar a subir, mas menos
Nesta área dos salários não se espera uma inversão da tendência dos últimos
anos, nem global nem local. Os mesmos fatores que no passado fizeram disparar
muitas remunerações mantêm-se.
“A TENDÊNCIA DE SUBIDA DOS SALÁRIOS DEVE MANTER-SE.
ATÉ PORQUE AS EMPRESAS QUE OPERAM EM TERRITÓRIO NACIONAL NÃO CONCORREM APENAS
ENTRE SI PARA CAPTAR TALENTO, MAS A NÍVEL GLOBAL”, CONFIRMA PATRÍCIA HORTA. O
RITMO DE SUBIDA, POR SEU LADO, DEVE ABRANDAR.
Os dados compilados pelo Global Tech Talent Trends 2022 da
Landing.jobs mostram que, entre 2021 para 2022, os salários em
Portugal na área da tecnologia cresceram, em média, 36%, uma subida que não
encontra comparação nas duas décadas anteriores.
A edição deste ano do estudo está em preparação, mas os primeiros
indicadores analisados apontam para uma quebra considerável no ritmo de
crescimento que se deve, não só ao cenário macroeconómico, “mas
sobretudo por estar em curso nas empresas uma reavaliação da evolução
da relação entre os salários na tecnologia e a capacidade dessa mesma
tecnologia gerar valor para as organizações”, explica Pedro Moura.
“Crescimentos explosivos de salário geralmente são feitos em cima de alguns
exageros e deficiente estruturação”, acrescenta o responsável de marketing da
Landing.jobs.
Competição internacional é forte
A escolha de Portugal para fixar centros de serviços internacionais,
como muito se tem referido, tem um peso cada vez maior no mercado de
emprego local e nos salários. Como destaca Rui Miranda, CEO da Teamlyzer, a guerra intensificou ainda
mais essa tendência, provocando "uma deslocalização muito grande de
empresas que tinham os seus polos tecnológicos naquela zona e que os deslocalizaram
para cá, umas trazendo as mesmas equipas, outros contratando em Portugal".
Mas não é só com as empresas internacionais, que fixam hubs de
inovação em Portugal, que as companhias locais têm de concorrer. Competem
também com as empresas que recrutam em Portugal para trabalho remoto
noutras geografias.
A Landing.jobs, conseguiu apurar que nos primeiros meses de 2022
16,8% dos profissionais de TI estavam nesta situação: a trabalhar em Portugal,
com um salário da Alemanha ou dos Estados Unidos, por exemplo. “Nos dados
de 2023 aposto num crescimento deste valor, já que muitas empresas de países
mais ricos estão mais atentas à necessidade de conjugar melhor, custos com
profissionais de tecnologia e qualidade desses mesmos recursos”, refere Pedro
Moura. Portugal tem para oferecer o melhor de dois mundos, qualidade
elevada e preço baixo, mesmo com o aumento significativo dos vencimentos em
áreas tecnológicas nos últimos anos.
Por outro lado, o modelo remoto também tem facilitado o inverso,
e ajudado a trazer recursos mais escassos para Portugal, sendo cada
vez mais comum empresas locais contratarem fora para suprir necessidades
internas. "Tivemos de nos virar para alternativas, como as outras empresas
também fazem e colmatar a falta de recursos, indo buscá-los a outras
geografias” explica Duarte Fernandes. "O Brasil é um dos países com o qual
existe uma relação forte. No ano passado, atrouxemos de lá 70 pessoas e neste
momento temos mais 40 em pipeline", acrescenta o responsável da empresa que
fornece recursos TI a empresas já instaladas em Portugal e apoio a companhias
que querem fixar-se em Portugal.
Mas se alguns destes contratos implicam vir morar para Portugal, outros
não. “Atualmente, temos recursos em outsourcing que estão a trabalhar
no Brasil, Nigéria, Arménia, entre outros países, sendo, por isso, o
teletrabalho uma solução efetiva para alargarmos a nossa área de sourcing e de
contratação”, exemplifica a Manpower.
Não existem dados oficiais que permitam quantificar o peso do trabalho
remoto nas áreas tecnológicas em Portugal, mas a Adecco admite que esta se
transformou "numa das variáveis com maior impacto no processo de decisão
da aceitação de um novo projeto profissional", como sublinha Joana Sousa
Freitas. Pela sua própria experiência, a empresa calcula que "entre 80 a
90% das empresas [em Portugal] na área tecnológica estão num modelo 100% remoto
ou híbrido".
Outro efeito importante desta flexibilização dos modelos de
trabalho, também por quantificar, é ser um facilitador de uma maior
mobilidade geográfica. "No que concerne à distribuição geográfica,
apesar de o maior número de oportunidades ainda se concentrar nos grandes
centros urbanos (Lisboa, Porto, Coimbra, Braga), o que verificamos é que
através dos modelos híbrido e remoto há um considerável aumento de
oportunidades de emprego para pessoas que habitam fora desses mesmos centros
urbanos", confirma a responsável da Adecco.
Fonte: SAPOTEK – SAPO
https://tek.sapo.pt/noticias/negocios/artigos/competicao-por-talento-tecnologico-vai-continuar-animada-e-com-salarios-a-subir-em-portugal
Mérito de Reportagem: Cristina A.Ferreira

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