Fabricante de software aposta em Portugal para estabelecer relação de proximidade com mercado nacional.
Fernando Braz lidera a Salesforce em Portugal desde setembro de 2020
© Diana Quintela/Global Imagens
O country manager da Salesforce em Portugal, Fernando Braz, afirma que a decisão da fabricante de software de origem norte-americana de investir em Portugal está diretamente relacionada com as perspetivas de crescimento do mercado nacional.
"Toda esta decisão de investir em Portugal tem a ver com a margem de crescimento que temos cá. Fizemos esse estudo e há um addressable market [mercado acessível] em Portugal, até porque na área do digital ainda há muito a fazer", explica Fernando Braz em entrevista ao Dinheiro Vivo.
Até há dois anos, a
operação da Salesforce em Portugal estava agregada à operação espanhola,
integrando ambos os países uma única subsidiária para a região ibérica. No
final de 2020, a empresa especializada no desenvolvimento de aplicações de
gestão de clientes (CRM) abriu escritório em Portugal, mas a
pandemia veio dificultar o lançamento da filial. A operação foi decorrendo
remotamente na pandemia. Só desde março deste ano é que a filial portuguesa
opera plenamente usando já o novo escritório, que se localiza nas Torres de
Lisboa, onde o Dinheiro Vivo falou com Fernando Braz.
A abertura do escritório português "está associada ao crescimento do negócio em Portugal". "À medida que fomos crescendo em número de clientes decidiu-se que era o momento de ter uma maior proximidade com parceiros e clientes", diz o gestor.
O country manager da
Salesforce Portugal não revela números sobre as perspetivas de crescimento no
mercado nacional, já com a subsidiária em atividade, mas explica: "Como
partimos de uma base instalada relativamente pequena, os números de crescimento
serão sempre muito bons". "Este é um mercado de aposta",
acrescenta, realçando, todavia, que o volume de negócios em Portugal "não
é comparável" com as subsidiárias alemã ou francesa.
Entre os clientes da
Salesforce, em Portugal, estão os grupos Sonae e Pestana, o Benfica, o Novo
Banco, o grupo Brodheim, a Costa Nova, a Gato Preto, a Ascendum, a Savoy
Signature e a Perfumes & Companhia. E o ecossistema de parceiros ascende a mais de 840
profissionais certificados a trabalhar com clientes da filial lusa.
O gestor não identificou
a empresa, mas Portugal já chamou a atenção da cúpula da Salesforce.
"Houve um grande negócio feito a partir de Portugal em que Mark Benioff
[cofundador e coCEO do grupo Salesforce] falou mesmo com o dono da empresa. É
uma empresa de topo da economia portuguesa", relata.
O foco da operação
portuguesa está "essencialmente" em criar um elo de ligação estreito
com clientes no mercado português, facilitando a relação entre a fabricante de
software e o mercado, seja pelo idioma seja pelo contributo para a economia
nacional.
A estratégia definida
para esse trabalho de proximidade assenta na verticalização de serviços e numa
crescente abordagem às pequenas e médias empresas (PME). "A nossa base
instalada de clientes em PME, com até 200 empregadas, é muito
significativa", refere, reiterando que há espaço e capacidade para
crescer, dependendo das necessidades e do "espírito empreendedor dessas
empresas".
Atualmente, assegura
Fernando Braz, os serviços que a empresa fornece são transversais a
"qualquer área", desde a saúde, telecomunicações, banca ou seguros.
"Temos o CRM, mas também ferramentas de vendas, customer experience,
marketing, e-commerce, analítica e, mais recentemente, o Slack", enumera,
afirmando que o "potencial é grande".
Por outro lado, a
operação portuguesa também é complementar a outras geografias. "Temos uma
força de trabalho com skills muito
elevadas", diz Fernando Braz, o que "traz cérebros e dinâmicas"
para a filial portuguesa, mas também "pode ajudar outros projetos, noutras
geografias" quando há por cá alguém especialista numa área que está por
cobrir noutra operação.
Ainda que questionado,
Fernando Braz não explicita quantas pessoas já trabalham para a Salesforce
Portugal, mas garante que já são mais do que a escassa "meia dúzia"
que estava afeta ao país antes da abertura do escritório em Lisboa. "Temos
uma equipa simpática", sublinha, lembrando o estudo da IDC que apontava
para uma "economia Salesforce", que estimava a criação de 11 mil
empregos diretos e indiretos até 2025, em Portugal.
No último ano fiscal,
que terminou a 31 de janeiro, as vendas da Salesforce cresceram 25%, para 26
mil milhões de euros, em termos homólogos, com a região EMEA (Europa, Médio
Oriente e África) a representar 35% desse valor. O gestor conclui assegurando
que a operação nacional acompanhou essa subida.
Fonte: Dinheiro Vivo
https://www.dinheirovivo.pt/empresas/tecnologia/portugal-com-margem-de-crescimento-no-universo-salesforce--14930834.html
Mérito de Reportagem: José Varela Rodrigues
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