INE confirma maior crescimento trimestral desde 1996: PIB cresceu 15,5% no segundo trimestre

No segundo trimestre, a economia portuguesa cresceu 15,5% em termos homólogos e 4,9% em cadeia. Consumo e investimento impulsionam retoma.

    4-Portugal

A economia portuguesa cresceu 15,5%, em termos homólogos no segundo trimestre do ano, refletindo sobretudo o efeito base do ano passado, confirmou esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta é a maior expansão trimestral homóloga desde pelo menos 1996, tendo os dados do organismo de estatística revelado ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) acelerou 4,9% face ao último trimestre do ano passado, como resultado do contributo da procura interna.

O segundo trimestre foi marcado por uma reabertura gradual da economia, depois do confinamento do início do ano, o que impulsionou a recuperação. Contudo, tal como havia já sinalizado na estimativa rápida divulgada no final de julho, o INE explica que a evolução homóloga é influenciada por um efeito de base, “uma vez que as restrições sobre a atividade económica em consequência da pandemia se fizeram sentir de forma mais intensa nos primeiros dois meses do segundo trimestre de 2020, conduzindo então a uma contração sem precedente da atividade económica”.

“No segundo trimestre, o PIB registou uma variação homóloga de 15,5% em termos reais (-5,3% no 1o trimestre e -16,4% no 2o trimestre de 2020), tendo aumentado 14,5% em termos nominais (variações de -3,6% no trimestre precedente e -12,7% no 2o trimestre de 2020)”, assinala.

A radiografia do INE permite ainda perceber que o contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB passou a positivo e “foi acentuado” no segundo trimestre, enquanto o contributo da procura externa foi nulo.

O consumo privado subiu 17,5%, o que compara com a quebra de 6,6% no primeiro trimestre deste ano e de 14,4% no segundo trimestre do ano passado, enquanto o consumo público aumentou 9,8% em termos reais no segundo trimestre, quando no primeiro trimestre registou uma variação homóloga de 2,8%. “Note-se que o consumo público registou uma taxa de variação homóloga negativa no 2o trimestre de 2020 (-3,9%), traduzindo o impacto negativo na produção não mercantil em volume das medidas de confinamento, que implicaram o encerramento de vários serviços públicos”, explica. Já o investimento passou de um crescimento de 3,9% no primeiro trimestre para 10,5%.

No segundo trimestre, a procura externa líquida apresentou um contributo nulo para a variação homóloga do PIB, com as exportações de bens e serviços a passarem de uma diminuição homóloga de 9,6% em termos reais, no primeiro trimestre, para um aumento de 39,4%, e as importações de bens e serviços passaram de uma taxa de – 4,3% no 1o trimestre para 34,3%.

Face ao trimestre anterior, o PIB aumentou 4,9% em termos reais, “mais que compensando a variação em cadeia negativa (-3,2%) observada nesse trimestre”. Esta evolução resulta sobretudo do contributo positivo expressivo da procura interna (5,4 p.p.) para a variação em cadeia do PIB, após ter sido negativo no primeiro trimestre. “Em menor grau, refletiu ainda um contributo da procura externa líquida menos negativo no segundo trimestre”, indica o INE.

Consumo e investimento puxam pela economia

O consumo privado foi um dos responsáveis pela recuperação da economia, com as despesas de consumo final das famílias residentes a crescerem 18,1% em volume, em termos homólogos, após a redução de 6,8% no trimestre anterior e de 14,8% no segundo trimestre do ano passado.

As famílias voltaram a consumir mais bens não duradouros, com este segmento a aumentar 34,3% em termos homólogos, após taxas negativas nos dois trimestres anteriores (-7,8% no primeiro trimestre e -25,9% no segundo trimestre de 2020). Já o consumo em bens não duradouros e serviços aumentaram 16,6%, em termos homólogos, o que compara com a quebra de 6,7% no trimestre anterior e a diminuição de 13,6% no segundo trimestre.

Face ao primeiro trimestre, as despesas de consumo final das famílias residentes aumentaram 8,8%, verificando-se crescimentos de 12,5% nas despesas em bens duradouros e de 8,4% nas despesas em bens não duradouros e serviços.

Já o investimento em volume aumentou 10,5% em termos homólogos, o que compara com as variações de 3,9% no trimestre anterior e quebra de 10,0% no segundo trimestre do ano passado, tendo a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) total crescido 12,5% em termos homólogos. Contudo, quando comparado com o primeiro trimestre, o investimento total diminuiu 3,2%, tendo a FBCF diminuído 2,1%.

Do lado, as exportações de bens e serviços em volume registaram uma variação homóloga de 39,4% no segundo trimestre, depois as importações de bens e serviços em volume aumentaram 34,3% em termos homólogos, após a contração de 4,3% no trimestre anterior. Comparativamente com o trimestre anterior, as exportações totais diminuíram 2% em termos reais, verificando-se variações em cadeia de sentidos opostos nas duas componentes, assim as importações totais registaram uma variação em cadeia de -0,8% no segundo trimestre, tendo as duas componentes apresentado também variações com sinais opostos, com a componente de bens a diminuir 2,3% e a de serviços a aumentar 8,6%.


Fonte: Jornal Económico - SAPO

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/ine-confirma-maior-crescimento-trimestral-desde-1996-pib-cresceu-155-no-segundo-trimestre-779344

Mérito de Reportagem: Ânia Ataíde


 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, deixe seu nome e e-mail para recontato. Comente aqui...

Postagem mais recente

A gente quer falar de Portugal!

 Olá, caro leitor(a). Ficamos meses sem postar nada nesse canal, por acharmos que não estava sendo eficiente, nem do ponto de vista de negóc...

Seguidores

Top Posts