Mário Centeno, governador do Banco de Portugal |
Tiago Miranda
O indicador diário de atividade económica
(DEI) calculado pelo Banco de Portugal cresceu 19,8%% em termos homólogos na
semana terminada a 6 de junho. Mantém forte crescimento, mas voltou a abrandar
face à semana anterior
A
economia portuguesa continua a crescer a um forte ritmo face ao ano passado -
perto de 20% - embora já não tão intenso quanto em meados de maio, quando se
aproximou dos 30%. E o ritmo de expansão homologa voltou a abrandar no início
de junho. É isso que sinaliza o indicador diário de atividade económica (DEI),
publicado pelo Banco de Portugal (BdP), cujos dados foram atualizados esta
sexta-feira.
Segundo uma nota do BdP, publicada na sua página na internet, na semana
terminada a 6 de junho o DEI apresentou "uma diminuição face à semana
anterior".
A média móvel semanal do DEI, nessa semana - que abrange o período entre 31
de maio e 6 de junho -, indica um crescimento homólogo da atividade económica
em Portugal de 19,8%. Isto quando a mesma média móvel referente à semana terminada
a 30 de maio sinalizava um incremento de 22,7% em termos homólogos.
Foi a terceira semana consecutiva de abrandamento do DEI. Ao longo de todo
o mês de maio, este indicador compósito, que procura traçar quase em tempo real
um retrato da evolução da economia portuguesa, cresceu acima dos 20% (médias
móveis semanais) em termos homólogos. Mas esse crescimento chegou a atingir os
28,7% na semana terminada a 16 de maio.
Nesta evolução é preciso ter em conta que em maio do ano passado decorreu o
processo de reabertura da economia portuguesa, após o primeiro confinamento
geral, em março e abril de 2020, para travar a pandemia de covid-19. Uma
reabertura que no início de junho deu novo passo, com as lojas de maior
dimensão ou inseridas em centros comerciais a voltarem a abrir portas, tal como
o ensino pré-escolar. Ou seja, a partir de junho de 2020 o desconfinamento do
país estava, em grande medida, feito.
Ou seja, a comparação da evolução da atividade passou a ser feita com um
período de 2020 em que o país já tinha desconfinado e a economia estava em
processo de recuperação.
O BdP calcula ainda a taxa bienal do DEI que, na prática, nos indica o
crescimento acumulado neste indicador entre 2019 e 2021. Esta taxa, em termos
de média móvel semanal, esteve, em regra, em terreno positivo desde o final de
abril e ao longo de maio - embora ainda em valores baixos -, sinalizando que a
atividade económica estaria já a operar ligeiramente acima do nível pré-crise.
Contudo, esta taxa bienal do DEI voltou a ficar negativa na semana
terminada a 6 de junho, com uma variação de -0,9%, indiciando que a atividade
económica ficou ligeiramente abaixo do nível pré-crise nessa semana.
O DEI sumaria um conjunto de informação de natureza quantitativa e
frequência diária, como o tráfego rodoviário de veículos comerciais pesados nas
autoestradas, o consumo de eletricidade e de gás natural, a carga e correio
desembarcados nos aeroportos nacionais e as compras efetuadas com cartões em
Portugal por residentes e não residentes. Por isso, permite traçar, quase em
tempo real, um quadro da evolução da atividade económica no país.
Os dados atualizados são divulgados semanalmente pelo Banco de Portugal, à
quinta-feira - esta semana a atualização ocorreu excecionalmente à sexta-feira
-, com informação até ao domingo precedente. A informação disponibilizada
refere-se aos valores diários e à média móvel semanal deste indicador.

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